Sumários

Desenvolvimento Sustentável – Um melro branco que nunca ninguém viu?

3 Novembro 2022, 18:00 • João Guerra

A Agenda 2030 é a última proposta da Assembleia Geral da ONU para alcançar o desenvolvimento sustentável e distribui responsabilidades no que poderíamos chamar de governança multinível. Nesse processo seria fundamental que a maior transversalidade decorrente da integração prática de imperativos ambientais com as necessidades sociais funcionasse e se transformasse num trunfo importante que não replicasse o fracasso relativo anterior. Ou seja, que ultrapassasse o STATUS QUO. Para isso, a inédita universalidade defendida pela Agenda 2030 pode ser determinante porque junta num mesmo esforço, países pobres e países ricos, vítimas e responsáveis pelas emissões de CO2 e da degradação ecológica.
Neste contexto e sem assumir soluções definitivas, a sustentabilidade (ou o desenvolvimento sustentável) surge como uma janela de esperança assente numa cosmovisão ecológica critica e reformista que assenta nos alertas  ambientais dos anos 60 e 70 e na possibilidade, ainda hoje real, de catástrofe ecológica (Dunlap & York, 2008). Apesar dos seus defeitos e insuficiências, o desenvolvimento sustentável expressa, afinal, a possibilidade e a esperança de que a humanidade possa vir a relacionar-se com a biosfera, evitando o colapso profetizado nos anos setenta (Veiga, 2015).


Agricultura, ocupação do solo e sustentabilidade

27 Outubro 2022, 18:00 • João Guerra

Marco António Fialho, apresenta-nos uma reflexão sobre a expansão da cultura de soja no Pampa do Rio grande do Sul e suas consequências sociais e ambientais.  A área cultivada com soja na região do Pampa aumentou 188% entre os anos de 2000 e 2015 enquanto que no Rio Grande do Sul, neste mesmo período, o aumento foi na ordem de 73,7%(KUPLICH et al 2018). Ora, como defendeu Heinrich Hasenack, pesquisador da UFRGS, "o avanço exagerado da agricultura, especialmente da soja, sobre as áreas de vegetação campestre deve servir de alerta sobre qual será o futuro do bioma Estamos deixando de lado a pecuária sustentável, que é a vocação natural do bioma e que permite produzir e ao mesmo tempo conservar a natureza, e apostando tudo em poucas commodities, como a soja e a silvicultura".
Importa, por isso, refletir sobre o desenvolvimento que se pratica e o desenvolvimento que se quer para esta região.


Alterações Climáticas e Adaptação Justa

20 Outubro 2022, 18:00 • João Guerra

As Alterações Climáticas são já um fenómeno que ninguém consegue negar. Mas enquanto os argumentos políticos sobre causas, consequências e respostas se arrastam, as populações diretamente afetadas começam a enfrentar a nova realidade que, em muitos casos, é ameaçadora e exige medidas urgentes de adaptação. Como tem sido bem documentado, as tendências reais para uma série de indicadores – aquecimento, aumento do nível do mar e condições climáticas extremas, por exemplo – excederam em muito as previsões do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) de apenas alguns anos atrás. Daí resultou um dos principais discursos políticos da atualidade, tanto em nível global quanto local: a justiça climática. Esta sessão procurará trazer a lume algumas teorias da justiça climática - bem como de exemplos de nações e comunidades mais vulneráveis  - para melhor ilustrar como, no terreno, se articulara uma série de estruturas sociais, políticas e tecnológicas para enfrentar e entender a relação entre os efeitos das alterações climáticas e as concepções de justiça e equidade.


Globalização, bananas e justiça socioambiental

13 Outubro 2022, 18:00 • João Guerra

A partir de um exercício de roleplay com os alunos, procurou-se tornar evidentes as consequências da produção/ consumo de bananas no Desenvolvimento Sustentável, tendo em mente as injustiças sociais decorrentes, as consequências económicas e os desequilíbrios Norte-Sul e, finalmente, os impactos ambientais da produção e comercialização de um dos produtos mais consumidos no mundo.


Riscos e desastres ambientais, a experiência brasileira

6 Outubro 2022, 18:00 • João Guerra

A sociedade de risco impôe-se com uma dinâmica contraditória que resulta da natureza dos riscos da modernidade tardia (Beck, 1995). É democrática porque afeta todos sem hipótese de imunidades completas e hierárquica porque não afeta todos da mesma maneira, provocando danos, sobretudo, entre os grupos sociais mais frágeis. Importava, então, concretizar melhor esta ideia através de casos paradigmáticos elucidativos. O orador convidado Luiz Carlos Brito Lourenço, professor da Universidade de Brasília e Investigador Associado do ICS-ULisboa, trouxe-nos alguns exemplos brasileiros bem conhecidos, refletindo, basicamente,  sobre os riscos e os desastres ambientais e suas consequências sociais, económicas e ambientais.

A sessão desdobrou-se nos seguintes pontos:
1) Riscos e desastres ambientais.
2) Abordagens e contributos teóricos: Beck, Solow, Unger, Eco, Lipovetsky.
3) Especificidades brasileiras e suas consequências.
2) Quatro estudos de caso: Amazónia, Barcarena, Brumadinho, Mariana.